Design Thinking nos negócios

Mais do que uma ferramenta, o Design Thinking é um processo de pensamento crítico e criativo para projetar, planear e desenhar um projeto.
É uma forma de abordagem moderna e inovadora que pode ser utilizada em diversos contextos e em qualquer sector.

De acordo com a Universidade Nova de Lisboa, o Design Thinking:

  • Centra-se na pessoa – começa com uma profunda empatia e conhecimento das necessidades e motivações das pessoas;
  • É colaborativo – beneficia de diversos pontos de vista e perspetivas e é um processo em que a criatividade de um reforça a criatividade de todos;
  • É otimista – acredita que todos podemos criar mudança – não importa quão grande é o problema, quão curto é o tempo ou quão baixo é o orçamento.

Foto de Alena Darmel

Embora o termo “design thinking” já fosse utilizado desde os anos 1970 nos Estados Unidos como uma abordagem criativa, na ciência, engenharia, arquitetura, educação e pesquisa académica, foi somente em 1991 que Tom e David Kelley e Tim Brown sistematizaram as ideias do Design Thinking na metodologia voltada para a gestão de empresas.

A abordagem só começou a ganhar força fora da comunidade de design após o artigo da Harvard Business Review de 2008 [assinatura necessária] intitulado Design Thinking por Tim Brown, CEO e presidente da empresa de design IDEO.

Design Thinking

O Design Thinking é uma metodologia utilizada para criar novos produtos, serviços, processos, ou para resolução de problemas. Entretanto, uma metodologia que valoriza a criatividade, experimentação e empatia para encontrar soluções inovadoras, ágeis, práticas e seguras nos negócios.
O principal diferencial é a multidisciplinaridade, a envolver, portanto, pessoas de diversas áreas da empresa.

Foto de cottonbro.

Pilares do Design Thinking

Inspiração
Perceber o problema ou oportunidade, estudo das possibilidades, da concorrência e do comportamento do público-alvo. Pesquisar e juntar materiais para inspirar.

Empatia
Colocar-se no lugar do outro e perceber suas necessidades, tanto do público-alvo quanto do público interno da empresa.

Criatividade
Ter a capacidade de fazer conexões entre os dados e opiniões distintas coletadas a fim de encontrar algo em comum entre eles.

Depois é necessário implementar as ideias para obter feedbacks e aprender com os erros, que são inevitáveis.

Etapas do Design Thinking

Cada empresa possui a sua cultura organizacional e as suas particularidades e, por isso, deve avaliar as melhores ferramentas a serem usadas em cada etapa do Design Thinking e, se necessário, adaptar as etapas à sua realidade, para alcançar o objetivo. São basicamente cinco as etapas do Design Thinking, a saber:

  1. Imersão ou Empatia
    É a fase do entendimento, em que se discute o problema, define-se o propósito e os limites do projeto, faz-se a análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats) ou, em português, FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) da empresa, pesquisas exploratórias e de referência. E depois, entrevistas e trabalhos de campo para gerar insights.
  2. Definição
    É a fase de analisar e organizar o material, identificar padrões e categorizar as ideias, sintetizar. Fazer uma representação gráfica deste material ajuda na visualização do problema. A seguir, filtrar os insights, definir o público-alvo e uma linha de trabalho.
  3. Ideação
    É a fase de pensar em uma solução para o problema, tendo em mente que nenhuma solução é ideal. É fundamental usar métodos para explorar ao máximo a criatividade das pessoas envolvidas, incentivando a experimentação e os erros (inevitáveis).
  4. Prototipagem
    É a fase do protótipo, ou seja, produzir um Produto Mínimo Viável (Minimum Viable Product ou MVP, sigla em inglês). É feita uma versão simples do produto para um período de testes.
    Para criar o MVP, responda a essas três questões:
    1) Que solução oferece? Qual é o seu verdadeiro diferencial?
    2) Como funciona essa solução? O que o seu produto/serviço entrega que os outros não entregam?
    3) Qual é o resultado esperado para o seu cliente?
  5. Implementação
    É a fase de implementar a solução. No caso de o produto ser validado, fazer os devidos ajustes e lançar o produto ou serviço no mercado

Mas atenção, o trabalho não acaba por aqui, tendo em conta que a empresa deve manter um processo de aperfeiçoamento contínuo de cada projeto.

Imagem: Interaction Design Foundation.

Estas etapas nem sempre são sequenciais e as equipas muitas vezes executam-nas em paralelo, fora de ordem e repetem-nas de forma iterativa.

Já a MIT Management Sloan School classifica o Design Thinking em quatro etapas: 1. Perceber o problema; 2. Desenvolver possíveis soluções; 3. Prototipar, testar e repetir; e 4. Implementar.

Imagem: MIT Management Sloan School.

Técnicas e ferramentas do Design Thinking

O Design Thinking possui uma série de técnicas e ferramentas colaborativas. Cabe ao gestor identificar aquelas que mais bem funcionam dentro do contexto do projeto e cultura da empresa.
Este artigo lista e descreve 25 técnicas e ferramentas do Design Thinking, que passo a citar em baixo.

Na etapa de Imersão:
1. Reenquadramento
2. Pesquisa Exploratória
3. Pesquisa Desk
4. Entrevistas
5. Cadernos de Sensibilização
6. Sessões Generativas
7. Um dia na vida
8. Sombra

Na etapa de Definição (ou Análise e Síntese):
9. Cartões de Insight
10. Diagrama de Afinidade
11. Mapa Conceitual
12. Critérios Norteadores
13. Personas
14. Mapa da Empatia (conhecimento obtido através de entrevistas com clientes)
15. Jornada do Usuário
16. Blueprint

Na etapa de Ideação:
17. Brainstorming (reunião entre pessoas de diversas áreas da empresa para pensar em ideias, apresentá-las e discuti-las, sem filtros, num curto espaço de tempo)
18. Workshop de Cocriação (encontro organizado na forma de uma série de atividades em grupo com o objetivo de estimular a criatividade e a colaboração, fomentando a criação de soluções inovadoras)
19. Cardápio de Ideias
20. Matriz de Posicionamento

Na etapa de Prototipagem:
21. Protótipo em Papel
22. Modelo de Volume
23. Encenação
24. Storyboard
25. Protótipos de Serviços

Outras duas ferramentas muito importantes e que vêm sendo cada vez mais utilizadas pelas empresas são:

Ludificação: utiliza-se da dinâmica e do entretenimento dos jogos para tornar uma atividade lúdica (pode ser utilizada em qualquer etapa do processo).

Cocriação com o Cliente: consiste em convidar o cliente a participar do processo de criação do produto, quer pessoalmente, quer virtualmente (nas etapas de Ideação e Prototipagem).

Como aplicar o Design Thinking na sua empresa

Para aplicar a metodologia de Design Thinking na sua empresa, antes de tudo, a cultura da empresa deve possibilitar que isso aconteça. Como?

Que tal começar por:

  • Prover um ambiente confortável, seguro, aberto a novas ideias;
  • Ter uma equipa multidisciplinar focada em aproximar-se do público e criar empatia sobre a solução do desafio;
  • Adotar estratégias de coleta e análise de dados.

Foto de fauxels.

Empresa Totvs seguiu o método Design Thinking

A Totvs, que produz softwares e aplicações para outras empresas, utilizou o método de Design Thinking para tornar os seus produtos mais “amigáveis” aos dispositivos móveis (tablets e smartphones, especificamente).

Primeiro, a empresa fez uma pesquisa para conhecer melhor os seus clientes com o objetivo de compreender seus atuais problemas e necessidades.

No caso dos clientes retalhistas, identificou que essas empresas precisavam de um software simples, que permitisse ao vendedor acompanhar o consumidor pela loja e efetuar a venda através do dispositivo, sem precisar de passar na caixa de pagamento.

Depois de mapear as necessidades, a Totvs organizou as ideias num mural com post-its coloridos, com a colaboração de funcionários de diferentes sectores.

A seguir, criou um protótipo do produto, apresentou ao cliente e ouviu as sugestões dele. Então, fez as devidas alterações e apresentou o protótipo do produto final.

Aprovada essa última versão, a empresa entregou o produto pronto para ser utilizado, mas não totalmente acabado. Assim, foi possível observar a experiência do cliente e fazer as atualizações necessárias, sempre a promover a melhoria contínua.

Dessa forma, a Totvs conseguiu, por meio do Design Thinking, evitar retrabalhos e otimizar o tempo de produção do software

Por que a sua empresa deve investir no Design Thinking?

O gestor de um negócio, nos dias de hoje, tem de ter grande capacidade de adaptação, para além de saber inovar. O Design Thinking é uma metodologia que possibilita e contribui imenso nesse processo, pois, a partir dele, é possível encontrar respostas rápidas e eficazes para as questões mais relevantes do negócio.

Os conceitos de multidisciplinaridade, empatia e criatividade, se bem aplicados, trazem grandes benefícios, não só no âmbito de projetos, mas também no dia a dia da empresa.

Eles devem fazer parte da cultura organizacional para uma real transformação de dentro para fora. A cultura organizacional deve ser focada na colaboração, cooperação e incentivo à criatividade em todos os processos.

O custo de implementação do Design Thinking é reduzido e traz grande vantagem competitiva para a empresa.

Além disso, por agregar colaboradores de todas as áreas, o resultado são profissionais mais felizes, motivados e integrados na empresa e uns com os outros, e por consequência mais produtivos também.