Rebranding: como a imagem influencia o sucesso da marca

Inês Tito
Copywriter

As marcas são entidades vivas. São dinâmicas. E estão em constante mutação. 

Na verdade, a sobrevivência de uma marca está intimamente relacionada com a sua capacidade para adaptar-se aos desejos dos consumidores.

Inês Tito
Copywriter

As marcas são entidades vivas. São dinâmicas. E estão em constante mutação. 

Na verdade, a sobrevivência de uma marca está intimamente relacionada com a sua capacidade para adaptar-se aos desejos dos consumidores.

Contudo, para seguir em frente, por vezes é necessário um corte abrupto com o passado. Uma rutura desta ordem pode revitalizar uma marca e fazê-la crescer. Ou, pelo contrário, pode acarretar consequências irreversíveis. Posto isto, como saber qual o caminho a seguir?

O reposicionamento do Instagram é um exemplo de como o risco calculado resultou numa estratégia de sucesso.

Fonte: Vecteezy

Revitalização da marca através do rebranding

O rebranding, ou estratégia de reposicionamento, é um processo utilizado para alterar os elementos que definem uma marca. Contudo, não significa que estamos a criar uma marca nova. Na verdade, estamos apenas a dar-lhe uma “renovação de visual”. O objetivo é apresentar aos consumidores uma nova identidade com que possam relacionar-se.

Os motivos (certos) para o rebranding

Alterar a imagem da marca pode ser uma ideia tentadora quando há pouco envolvimento dos consumidores ou quando as vendas estão em declínio. 

No entanto, antes de avançar com uma estratégia de reposicionamento, é importante compreender o motivo desses resultados. Por vezes, basta criar uma nova estratégia de marketing e apresentar o produto numa perspetiva diferente.

Se, por outro lado, a imagem da marca está desatualizada ou não reflete a missão e valores da empresa, talvez o rebranding seja a solução. Porém, existem outros motivos igualmente válidos:

  • Nova missão, visão e valores

À medida que uma marca evolui, a sua missão, visão e valores podem alterar-se. Por isso, é importante rever o modelo de negócio e de que modo este se reflete na imagem transmitida aos consumidores.

  • Fusões e aquisições

No mundo dos negócios, as aquisições e fusões entre empresas são comuns. No entanto, para o consumidor pode ser confuso diferenciar a nova marca das pré-existentes. Por isso, é importante apresentar a nova identidade da marca através de uma imagem renovada. 

  • Reposicionamento no mercado

O reposicionamento da marca pode decorrer da criação de produtos e serviços, para alcançar um novo público-alvo. Neste caso, apesar da missão, visão e valores da empresa manterem-se inalterados, é necessário atualizar a imagem da marca.

  • Novos mercados

Quando o objetivo é a expansão internacional, é natural que os novos consumidores não tenham qualquer relação com a atual imagem da marca. Assim, para promover a identificação com a marca, pode ser necessário alterar o logótipo ou até o nome da empresa, ou do produto.

Estratégias de rebranding

O sucesso de um plano de reposicionamento de marca depende de um estudo de mercado exaustivo. Sem conhecermos o nosso público-alvo, os nossos concorrentes e a perceção da marca nos consumidores, como podemos definir os próximos passos?

Além disso, é necessário avaliar a missão, visão e valores da marca. Estarão alinhados com a mensagem que a marca pretende transmitir?

Uma vez clarificados estes aspetos, é tempo de tomar decisões.

Rebranding total

O reposicionamento total resulta numa mudança completa da imagem da marca, que pode incluir a missão e valores da empresa. 

Nesta estratégia, é comum a criação de um novo logótipo. Além disso, pode ser alterado o nome da marca, slogan, esquema de cores e tipo de letra. O resultado é uma imagem totalmente distinta da original. 

Com esta estratégia, a identidade da marca é posta à prova. 

No caso de marcas consolidadas no mercado, esta abordagem pode trazer danos irreparáveis. Os consumidores fidelizados podem ter dificuldade em associar a marca ao produto e, para os investidores, isso significa perdas avultadas. Em última instância, resta reverter todo o processo e voltar à imagem original

Rebranding parcial

Através do reposicionamento parcial são feitos pequenos ajustes à imagem da marca. Em muitos casos, é apenas necessário alterar o logótipo e manter o esquema de cores original. Noutros, a imagem mantém-se. O que muda é a voz da marca.

Esta estratégia é utilizada por marcas maduras que pretendem apenas renovar a sua imagem e reter os clientes fidelizados. Desta forma, o consumidor reconhece a marca e os seus produtos, através de uma imagem melhorada.

Instagram: O sucesso de um rebranding arriscado 

A primeira revolução instituída pelo Instagram foi o seu aparecimento. 

A segunda foi o rebranding de 2016.

Fonte: Unsplash

Em 2010, a rede social Instagram surpreendeu devido ao seu conceito inovador: uma plataforma dedicada a conteúdos visuais, criados a partir de dispositivos móveis. Rapidamente, qualquer pessoa, em qualquer lugar, poderia publicar e partilhar fotos com amigos e familiares.

Esta ideia simples transformou-se numa receita de sucesso. Passados seis anos, o Instagram contava com 400 milhões de utilizadores. Por esta altura, era claro que a rede social tinha crescido o suficiente para ser necessário rever a comunicação da marca. 

A necessidade de mudar

Habitualmente, os processos de reposicionamento surgem para solucionar um problema. 

No caso do Instagram, o “problema” é o cenário de sonho de qualquer executivo: uma marca que cresceu naturalmente, além da sua própria identidade. Este tipo de crescimento obriga a rever a imagem da marca para que esta se mantenha atualizada e acompanhe a sua própria evolução.

O propósito dos utilizadores do Instagram mudara desde o aparecimento da plataforma. Em 2010, a aplicação era essencialmente utilizada para partilhar fotos entre amigos. Contudo, em 2016, eram as empresas que expandiam o seu negócio, apostando em anúncios na plataforma.

Durante este período, a rede social investiu em vários serviços para acompanhar as necessidades dos utilizadores. Entre eles estão as mensagens diretas, os vídeos, os anúncios ou as ferramentas para empresas, como a subscrição de newsletters e compra de produtos.

Além disso, o Instagram apostou na melhoria da experiência do utilizador. Desenvolveu uma interface mais simples e intuitiva, focada na criação e publicação de conteúdos.

Neste sentido, um logótipo inspirado numa máquina fotográfica Polaroid, que nos remete para a nostalgia dos anos 80, dificilmente será associado a uma rede social de última geração.

A transformação de um ícone

O primeiro logótipo do Instagram foi desenvolvido por Kevin Systrom, o cofundador da rede social. Inspirado pela máquina fotográfica Polaroid dos anos 80, o seu intuito era recordar a infância e os momentos passados em família. 

Considerando que o objetivo inicial do Instagram era facilitar a partilha de fotos com amigos e família, este logótipo não poderia ser mais adequado. Por este motivo, nos anos seguintes, o pequeno ícone foi ajustado, para apresentar uma versão atualizada da máquina fotográfica, sem esquecer as suas origens.

Fonte: 1000logos

Assim, quando o novo logótipo foi anunciado em 2016, as reações não se fizeram esperar. Se por um lado houve quem adorasse a nova imagem, do outro estavam os utilizadores fidelizados à imagem original. 

O Instagram simplificou a imagem da antiga máquina fotográfica através de um design minimalista. Além disso, o traçado branco do diafragma da máquina contrasta com o gradiente de cores quentes, inspirado no arco-íris da imagem original. 

A interface também foi atualizada para tons branco e preto. Para Ian Spalter, o responsável pelo rebranding do Instagram, o ícone serviria como uma “porta colorida” para uma aplicação onde “as cores devem surgir dos conteúdos publicados pelos utilizadores”.

Esta mudança drástica gerou grande debate no mundo online. Quer fossem bons ou maus comentários, a controvérsia alimentou a popularidade da aplicação. Assim, apesar da resistência inicial, a mudança revelou ser um sucesso. Em 2018, o Instagram registava um bilião de novos utilizadores em todo o mundo.

A singularidade do rebranding do Instagram

A sociedade moderna vive a um ritmo mais acelerado do que as gerações anteriores. Como consequência, focamos a nossa atenção no que é percetível mais depressa. Não temos tempo a perder e queremos perceber rapidamente o que os nossos sentidos detetam.

Por este motivo, as últimas tendências do design gráfico apresentam elementos em comum que visam facilitar o reconhecimento das marcas. Contudo, no que respeita ao rebranding do Instagram, algumas características são únicas.

  • Simplicidade

Em suma, quanto mais depressa o consumidor perceber do que se trata uma imagem, mais rapidamente associará à marca. Assim, na lógica de “menos é mais”, o novo logótipo do Instagram representa de forma simplificada os elementos-chave da identidade da marca: a partilha de foto e vídeo.

  • Relevância

Para que uma estratégia de reposicionamento seja bem-sucedida, é vital que o logótipo seja relevante para o público-alvo. Ou seja, que informe o público sobre o que se trata aquela imagem. O gradiente de cores e o traçado claro do logótipo do Instagram relevam uma marca de personalidade amigável, onde a imagem, seja em fotografia ou vídeo, é o elemento principal.

  • Memorável

Apesar dos inúmeros estudos conduzidos sobre a memória humana, em muitos aspetos esta permanece um mistério para os investigadores. No entanto, uma coisa é certa: o nosso cérebro simplifica a informação complexa para reter e criar memórias. 

Para uma estratégia de reposicionamento, isto significa que uma imagem com pouco detalhe visual promove o reconhecimento da marca.

Foi esta a aposta do Instagram. Ao apresentar um logótipo limpo e simples, a rede social deixa a sua impressão na memória do utilizador. Além disso, consegue, em simultâneo, comunicar os aspetos mais importantes da personalidade da marca.

  • Intemporal

Num processo de rebranding, é importante pensar a longo prazo, evitando apenas seguir as últimas tendências do design. Com esta estratégia, a marca pode definir qual o caminho a seguir e deixar uma porta aberta para o futuro.

O Instagram alcançou o objetivo da intemporalidade na perfeição. Desde o seu aparecimento, a rede social alterou o foco na fotografia para incluir também o vídeo. Assim, a nova imagem sugere a versatilidade da marca, independentemente do caminho a seguir.

Em 2022, o Instagram continua a reinventar-se. O novo algoritmo trouxe mudanças na apresentação de conteúdos, existindo um maior foco nos conteúdos de vídeo. Como resultado, a plataforma atualizou o gradiente de cores, criou um tipo de letra personalizado, e desenvolveu um novo formato para celebrar a criatividade e autoexpressão.

O que podemos aprender com o rebranding do Instagram?

A mudança é o elemento essencial de qualquer estratégia de rebranding. Na verdade, a mudança faz parte do processo de melhoria contínua que permite a evolução das marcas. 

O Instagram decidiu arriscar e mudar totalmente a imagem a que o mundo já estava familiarizado. Contudo, foi um risco calculado, sustentado por pesquisa e testes exaustivos. Assim, o que podemos aprender com este rebranding?

Conhecer o impacto da marca nos utilizadores e pensar numa estratégia de mercado a longo prazo é importante para apresentar uma nova imagem intemporal, que seja bem aceite pelo público. Durante um ano, a plataforma pesquisou e analisou os dados recolhidos antes de aplicar uma mudança tão drástica.

Além disso, é essencial testar a nova identidade junto de funcionários e consumidores. Através da inquirição a grupos de teste, o Instagram obteve informação vital que conduziu a equipa de rebranding à versão final da nova imagem da marca. 

Por último, é importante aceitar que é impossível agradar a todos. A mudança gera ansiedade e cria resistência ao que é novo. Porém, é essencial para avançar. Este princípio sustentou o processo de rebranding do Instagram, que reconheceu os comentários negativos e, nem por isso, deixou de recolher feedback.

O rebranding do Instagram demonstra a importância de manter uma imagem de marca ajustada às necessidades do utilizador. O que começou como uma mudança chocante, transformou-se num sucesso. Considerando o padrão evolutivo da plataforma, é possível que, no futuro, o Instagram nos surpreenda cada vez mais.

Freelancer: utopia ou um trabalho de sonho concretizável?

Pauliny Zito
Planner, copywriter e copydesk

Trabalhar por conta própria. É isso que define o freelancer, termo em inglês que significa profissional liberal que presta serviços de modo autónomo para empresas ou pessoas, por períodos determinados de tempo.

O trabalho de freelancing oferece flexibilidade, independência e a oportunidade de perseguir a sua paixão.

Pauliny Zito
Planner, copywriter e copydesk

Trabalhar por conta própria. É isso que define o freelancer, termo em inglês que significa profissional liberal que presta serviços de modo autónomo para empresas ou pessoas, por períodos determinados de tempo.

O trabalho de freelancing oferece flexibilidade, independência e a oportunidade de perseguir a sua paixão.

Nas palavras de Peggy De Lange, VP de Expansão Internacional da Fiverr, plataforma que conecta empresas a freelancers:

“A pandemia fez com que as pessoas procurassem formas alternativas de exercer as suas atividades. Para aqueles que estavam acostumados a trabalhar num formato mais tradicional, a adesão forçada ao home office acabou por funcionar como uma experiência que mostrou que é possível unir flexibilidade e produtividade. É muito natural que os profissionais queiram manter os aspectos mais positivos desta vivência daqui para frente, o que acaba contribuindo para que muitos se direcionem para o mercado freelancer”.

Fonte: Foto de Andrea Piacquadio, Pexels

Competências do freelancer

O profissional freelancer deve ter boa comunicação verbal e escrita, alta capacidade de gestão do tempo e de planeamento, alto comprometimento e, acima de tudo, ser muito organizado e ter disciplina a fim de priorizar atividades e cumprir prazos.

O foco na solução de problemas é um dos segredos para ser bem-sucedido nos quesitos disciplina e equilíbrio. Para tanto, o primeiro passo é saber o que exatamente tem de resolver. 

Outras competências necessárias são adaptabilidade e empatia, pois, para conseguir resolver os problemas dos clientes, antes de tudo é necessário percebê-los. E para bem percebê-los, terá de colocar-se no lugar deles.

O freelancer deve ser capaz de estabelecer limites claros entre a vida profissional e a pessoal e ter cuidado para não se deixar influenciar pelas muitas distrações presentes em casa.

Ser freelancer implica ser o seu próprio patrão, um desafio que exige que o profissional desenvolva a liderança. Primeiro, de si mesmo. Depois, na relação freelancer e cliente, a liderança está presente na criação de confiança e credibilidade. Para freelancers que trabalham com parceiros, a liderança deve ser exercida com cordialidade e segurança, dando-lhes, entretanto, autonomia. Por último, há também a relação de liderança com familiares e amigos, para que percebam a seriedade do seu trabalho e respeitem horários e limites. 

Por fim, mas não menos importante, é fundamental que o freelancer saiba como promover o seu trabalho, construindo a sua marca pessoal forte, que só será conseguida se o profissional for especialista em determinado nicho – e não um generalista. 

Como construir uma marca pessoal forte? Tendo uma boa estratégia de Networking.

  • Ter e nutrir uma ampla lista de contactos para conseguir boas oportunidades, tendo em conta que não basta juntar contactos; é preciso mantê-los “vivos”;
  • Participar em eventos do mesmo setor que o seu;
  • Estar presente e ativo em grupos de emprego;
  • Inscrever-se em plataformas de freelancers e relacionar-se com outros freelancers;
  • Participar em discussões e estar presente nas redes sociais, principalmente no LinkedIn, a publicar com frequência e a interagir com potenciais clientes;
  • Ter um website/portfólio sempre atualizado e divulgá-lo constantemente;
  • Construir um nome no mercado, tornando-se uma referência na sua área enquanto freelancer;
  • Manter uma boa relação com os seus clientes, baseada em confiança;
  • Manter-se sempre contactável e disponível.

Benefícios de ser freelancer

Enquanto o trabalho de um freelancer é melhor em termos de flexibilidade e propósito, empregos tradicionais, com contrato, por exemplo, oferecem melhores benefícios e estabilidade financeira.

Trabalhar como freelancer oferece aos profissionais a oportunidade de estar no controlo das suas carreiras, o que não se consegue através do emprego tradicional.

Possibilidade de trabalho remoto, ter flexibilidade para estar mais tempo com a família, para viver o seu estilo de vida desejado e para cuidar da saúde física e mental, e, ainda, controlar o potencial de ganhos são alguns dos benefícios-chave de ser freelancer.

Fonte: Foto de Fauxels, Pexels

Dica: faz um planeamento financeiro. Tendo em conta que o ordenado mensal do freelancer é variável, um bom planeamento financeiro é ter em mente quanto dinheiro tem, quanto vai receber e quanto e como está a gastá-lo. Só assim poderá tomar decisões assertivas e não gastar mais do que pode.

10 mitos da carreira de freelancer

1. Freelancer é quem define o orçamento extra

O profissional até pode utilizar o trabalho freelancer como um extra, mas nada o impede de fazer dele a sua principal remuneração.

2. O freelancer ganha pouco

Especialistas nas suas áreas de atuação que trabalham como freelancers deixam de ter o seu valor-hora determinado por uma empresa e definem o seu próprio preço, geralmente passando a cobrar acima da média.

3. Freelancer é para os que estão a ingressar no mercado de trabalho

Embora seja uma área muito atrativa aos jovens em início de carreira, que são movidos a novidades e visam mais liberdade e flexibilidade, não é uma área exclusiva deste público.

4. Não é preciso trabalhar em equipa

Isso porque, mesmo que o freelancer não se encontre com a equipa da empresa, sempre há interação e colaboração entre ambos, desde o recebimento e entendimento do briefing à execução dentro do prazo pré-determinado.

5. Poucas horas de trabalho por dia

O número de horas de trabalho do freelancer depende de diversos fatores, podendo ser, por vezes e inclusivamente, maior do que a carga horária padrão das empresas, nomeadamente: quantidade de clientes e trabalhos, grau de dificuldade e complexidade de cada trabalho, capacidade e ritmo de produção e concentração do freelancer, entre outros. Como o freelancer não tem uma carga horária a cumprir, ele mesmo é quem estabelece quantas horas deve trabalhar mediante as necessidades e os prazos de entrega.

6. Freelancer passa o dia a trabalhar de pijama no sofá

O freelancer pode vestir o que lhe apetecer e trabalhar de onde quiser, quer em sua casa, quer em espaços coworking ou mesmo em locais públicos, como parques, cafés e bibliotecas. Cada pessoa tem uma maneira de ser e de comportar-se, o que não faz do pijama nem do sofá uma regra. 

7. Está sempre disponível

A carreira de freelancer não é sinónimo de agenda mais vazia. Cada freelancer possui uma dinâmica de trabalho pessoal e, portanto, organiza as suas demandas com base no tempo a executar cada tarefa.

8. Não precisa prospetar clientes

Muito pelo contrário. Como já foi dito antes neste artigo, é fundamental que o freelancer faça a divulgação do seu trabalho de maneira contínua, utilizando ferramentas digitais, a fim de destacar-se no mercado.

9. Não é possível viver como freelancer full-time

Nada é impossível. Se tem as habilidades e competências necessárias, foco, organização e sabe promover o seu trabalho, vão sempre surgir clientes e trabalhos.

10. Qualquer pessoa pode ser um freelancer

Nem toda a gente pode ser freelancer pura e simplesmente porque nem toda a gente adapta-se ao trabalho freelancer. Há pessoas que preferem trabalhar para uma única empresa, a fazer seu trabalho em oito horas por dia, 40 horas por semana, a receber um ordenado fixo com contrato, e está tudo bem. Isso porque ser freelancer é não ter rendimento fixo, é ter de fazer sua própria contabilidade e ser responsável pelos  seus impostos e contribuições sociais. E também não ter férias remuneradas periódicas nem subsídios de Natal.

O Mercado de freelancers 

O mercado de freelancers está mais aquecido do que nunca. Nos últimos dois anos, especialmente com a pandemia da COVID-19, vivenciamos uma revolução no mercado de trabalho mundial, com demissões em massa e consequentemente o aumento de trabalhos independentes ou freelancers, temporários, remotos, nómadas digitais, autónomos.

É, de facto, uma carreira em crescimento, que já era tendência de trabalho conforme publicado em artigo da Forbes de agosto de 2018.

Em Portugal, nos últimos dois trimestres de 2021, segundo o Instituto Nacional de Estatística, o número de trabalhadores por conta própria (freelancers) e os profissionais conhecidos como ENI – Empresário em Nome Individual chegou aos 733 mil, o maior valor de sempre em Portugal, e que equivale a cerca de 15% da população ativa no país.

Tipos de trabalho mais comuns para freelancers em Portugal

Os trabalhos mais comuns para freelancers em Portugal são de profissionais liberais e ligados a serviços, nomeadamente:

  • Designers;
  • Jornalistas;
  • Publicitários e profissionais de Marketing;
  • Programadores e desenvolvedores de sites;
  • Produtores ou Criadores de conteúdo audiovisual;
  • Fotógrafos;
  • Tradutores;
  • Revisores;
  • Consultores de negócios;
  • Personal trainers;
  • Fisioterapeutas;
  • Esteticistas que atendem a domicílio;
  • Professor de idiomas e outros, que dão aulas particulares.

8 aplicações úteis para freelancers e empreendedores gerirem o seu negócio

Fonte: Foto de Canva Studio, Pexels

Obrigações Fiscais e de Segurança Social do freelancer em Portugal

Para trabalhar como freelancer em Portugal, é necessário abrir atividade individual, presencialmente no balcão das Finanças ou pelo Portal das Finanças e possuir:

  • Identificação: Cartão de Cidadão ou Cartão/Título de Residência;
  • NIF – Número de Identificação Fiscal;
  • IBAN em seu nome.

No formulário, deve-se selecionar o CAE da sua atividade profissional (classificada consoante a Classificação das Atividades Económicas Portuguesas por Ramos de Atividade) ou CIRS (que consiste em atividades de prestadores de serviços) e preencher uma previsão dos seus rendimentos anuais para efeitos de IRS (caso seja superior a 12.500€ tais rendimentos ficam sujeitos à retenção na fonte).

Atenção: se a atividade a ser iniciada no mês de julho, por exemplo, deve-se calcular a previsão com base em 6 meses, isto é, de julho a dezembro, pois o sistema é que irá, a seguir, calcular automaticamente o valor para 12 meses.

Submetida e aprovada a declaração de início de atividade, o freelancer pode começar a emitir Faturas, Recibos ou Faturas-Recibos (Recibos Verdes) pelo próprio Portal das Finanças.

Fonte: Foto de Cottonbro, Pexels

IVA: se o cálculo anual for de valor superior a 12.500€, é obrigatório o enquadramento no regime normal de IVA, com a correspondente liquidação e dedução de IVA e a entrega da declaração periódica de IVA.

Se o cálculo anual for inferior a 12.500€, o enquadramento é no regime de isenção, sem necessidade de liquidar IVA nem entregar a declaração periódica de IVA.

Segurança Social: no primeiro ano o freelancer é isento de pagamento. Após os 12 meses, a contribuição é calculada com base nos rendimentos dos 3 meses anteriores à declaração e realizada nos meses de janeiro, abril, julho e outubro (ou seja, o freelancer deve entregar uma declaração 4 vezes por ano, para além da declaração anual).

IRS – retenção na fonte: se no ano anterior tiver recebido menos de 12.500€, não precisa de fazer a retenção na fonte, sendo que o IRS será acertado quando fizer a declaração anual. Já se tiver recebido mais de 12.500€, é obrigado a fazer retenção na fonte todos os meses.

Como calcular o valor hora de trabalho freelancer

O blog InvoiceXpress disponibiliza uma ferramenta que pode ajudar no cálculo do valor hora de trabalho freelancer: Calculadora Valor Hora para freelancers | Invoicexpress.

Já o site MeuSalario.pt, indica uma fórmula para calcular o valor hora:

  • Salário Ambicionado = Custo de Vida + Custo da Atividade + Despesas com Impostos
  • Dias de trabalho = (Dias de trabalho – Dias de Férias – Dias de Doenças)*(horas de trabalho por dia)
  • Valor Hora = Salário Ambicionado / Horas de Trabalho

Exemplo: se o salário ambicionado bruto é 1.600€ por mês e conta-se trabalhar 48 semanas, num total de 240 dias, 7 horas de trabalho por dia, deve-se:

  • Calcular o salário anual a 12 meses = 19.200€
  • Calcular as horas de trabalho por ano = 1.680 horas 
  • Dividir o salário anual (19.200€) pelo número de horas de trabalho (1.680) = 11,42€

Liberdade de escolha 

A modalidade de freelancing intensifica e prova que o capital intelectual pode estar disponível em qualquer parte do planeta.

Este modelo sem vínculo empregatício, antes menos valorizado, atende melhor aos anseios de independência e autonomia das novas gerações – mas não só – de profissionais que estão a ingressar no mercado de trabalho. 

Assim, é possível experimentar trabalhar com diversos tipos de empresas e respetivas culturas, selecionar trabalhos que mais convém e que fazem mais sentido de serem desenvolvidos, na visão do próprio freelancer

Fonte: Foto de Andrea Piacquadio, Pexels

O que os freelancers querem 

Ter mais satisfação no trabalho. É isso que os profissionais freelancers mais querem. 

A pesquisa da plataforma Fiverr, realizada pela Censuswide entre os dias 16 e 24 de novembro de 2020, na qual foram entrevistados 1.051 profissionais que trabalharam remotamente naquele ano, em diferentes países, concluiu que, dos freelancers entrevistados, 76% concordaram que trabalhar de casa permitiu que eles assumissem mais trabalhos em paralelo. Além disso, 68% ​​afirmaram que trabalhar em casa os tornaram mais produtivos, o que também lhes permitiram assumir outros trabalhos.

Sê um freelancer

Para trabalhar como freelancer, é preciso dedicação e trabalho, sobretudo ter mente aberta e estar disposto a aceitar novos desafios.

Num mercado altamente competitivo como este, definir um nicho de trabalho faz muita diferença. Quanto mais você se especializa em determinada área, melhor, pois conhecimento técnico é sinónimo de alta qualidade na entrega do trabalho.

Se tem talento e quer entrar no mercado de freelancer, junta-te à maior rede de talentos na Scallent, subsidiária da Jelly – Digital Agency, onde o teu trabalho é verdadeiramente valorizado e dignificado.

A Scallent seleciona Talentos de Topo dentro das áreas de competência de uma Agência e liga-os aos projetos dos clientes, num modelo curado, ágil e competitivo.